Filas do SUS em capitais — espera e reorganização de agendas

Atualizado em 9 de junho de 2026 — inclusão de dados de Porto Alegre e nota sobre regulação estadual no RS.

Gráfico de tempo de espera no SUS

Pacientes que aguardam consulta com cardiologista, neurologista ou ortopedista nas capitais brasileiras enfrentam, em média, 127 dias entre o encaminhamento pela atenção básica e a data marcada — prazo que sobe para 203 dias em oftalmologia e 156 dias em ginecologia, segundo levantamento do Prisma Saúde em oito metrópoles entre 20 de maio e 2 de junho de 2026.

O estudo consultou portais de transparência municipal e estadual, entrevistou 34 gestores de regulação e acompanhou 120 pacientes que autorizaram o uso anônimo de suas posições na fila. Os números variam bastante: em Brasília, a mediana para cardiologia ficou em 94 dias; em Recife, 161 dias; em São Paulo, 118 dias com dispersão alta entre distritos.

127
Dias (média especialidade)
89
Dias (exames complexos)
8
Capitais pesquisadas

O que mudou na regulação

Três capitais — Belo Horizonte, Fortaleza e Curitiba — adotaram nos últimos doze meses fila única digital integrada à atenção básica. O modelo elimina cadastros paralelos em unidades de saúde e permite que o paciente consulte posição pelo aplicativo ou SMS. Gestores relatam queda de 18% em reclamações por "sumiço" de guia, mas admitem que a transparência expôs filas que antes não apareciam em relatório consolidado.

Em São Paulo, o município testa mutirões de sábado para dermatologia e otorrinolaringologia em seis AMAs integradas. A estratégia não reduz a fila estrutural — depende de profissionais em regime de plantão extra —, mas antecipa consultas de casos classificados como prioridade média que aguardavam há mais de 90 dias.

Voz de quem espera

João Pedro, 58 anos, motorista de aplicativo em Recife, recebeu encaminhamento para cardiologia em março após pressão alta repetida na UBS. Em junho, ainda sem data, passou mal e foi atendido em emergência — onde repetiu exames já solicitados na atenção básica. "A fila não é abstrata. Cada dia sem consulta é risco que a gente corre", diz.

Para Maria Lúcia, 71, aposentada em Porto Alegre, a reorganização digital trouxe alívio parcial: ela passou a receber atualização mensal da posição para cirurgia de catarata. "Antes eu ligava toda semana e ninguém sabia responder. Agora vejo o número, mas ele anda devagar."

Gargalos que persistem

Especialistas ouvidos apontam três frentes que nenhuma ferramenta digital resolve sozinha: déficit de vagas em especialidades com longa formação; concentração de oferta em hospitais universitários com fila própria; e falta de exames diagnósticos antes da consulta, o que gera retorno e prolonga agendamento.

A regulação estadual no Rio Grande do Sul, atualizada em maio de 2026, unificou critérios de prioridade clínica entre municípios da região metropolitana de Porto Alegre. A medida reduziu saltos na fila por cadastro em múltiplas cidades, mas gerou debate sobre centralização de decisões que antes eram locais.

O que gestores planejam para o segundo semestre

Em entrevistas, secretários de saúde citam expansão de telessaúde para triagem de especialidades — não substituindo consulta presencial, mas filtrando casos que podem aguardar ou ser resolvidos na atenção básica. Há também negociação com universidades para ampliar residência em especialidades com maior fila.

O Prisma Saúde continuará monitorando tempos de espera publicados e comparando com relatos de usuários. Para compartilhar experiência na fila ou apontar inconsistência em portal de transparência, escreva para [email protected].